Sei que ninguém vai ler isso. Sei que ninguém aqui lê nada. Mas preciso pelo menos fingir que alguém no mundo me escuta, ao menos uma vez na vida.
Bom, quando pequena eu não era uma criança feia, nem chata, nem ignorada. Mas não perto da minha prima. Minha prima sempre o centro das atenções da família, todos sempre elogiaram ela. Claro, não discordo, ela realmente sempre foi diferente. Sempre foi excêntrica, inteligente e peculiar. Bonita, alta, magra, o rosto perfeito. Meninos e meninas se apaixonam por ela, todos. Sem exceções, todos que se aproximam (ou não) se apaixonam de algum modo por ela. Parece uma espécie de “parte da vida” que todos em volta dela teem que viver. Até eu já me apaixonei por ela.
Mas, bom, isso não é o caso, não tenho inveja nem ódio dela, bem pelo contrário, sempre a admirei muito.
Ainda quando eu era pequena minha mãe morreu. Bom, isso nunca me afetou muito, já que nunca tive uma grande convivência com ela.
Com dez anos minha avó por parte de mãe morreu.
E, ano retrasado meu irmão morreu. De todas as perdas que eu tive a morte dele sempre foi a que me machucou mais. Eu sempre gostei muito dele. Ele não era das ótimas pessoas, mas comigo, ele sempre foi. Ele sempre pareceu se orgulhar muito de mim, o que quase ninguém faz. Ele sempre comentava de mim pra todos os conhecidos dele. E sempre me buscava no colégio quando eu era pequena. Lembro direitinho da última vez que o vi , ele me deu um presente, e eu tenho até hoje. Apesar de estar rasgado.
Nunca achei que sou uma ótima filha, uma ótima neta, uma ótima sobrinha. Seja lá o que for, nunca foi boa o bastante pra nada. Minha família nunca teve grandes expectativas em cima de mim. Sempre fui comparada com minha prima, com as sobrinhas da minha madrasta… Bom, não que queira realmente ser como elas, mas dói saber que a tua própria família não vê futuro em ti.
Não posso reclamar na questão de amigos, sempre fui muito rodeada de pessoas (não que eu os considere algo, mas eles me consideram), mas quando eu e minha prima tinhamos amigos em comum, ela sempre era a idolatrada do grupo, todos se curvavam pra ela, todos a amavam (como já disse, não tiro a razão do por que). Mas nunca achei que meus amigos de verdade me merecessem, nunca me achei boa o suficiente pra eles. Eles sempre são tão inteligentes, bons demais pra mim. Sempre que tenho uma “amizade platônica” não me aproximo, nunca me acho no nível delas, nunca me acho boa o suficiente, de novo.
Sei muito bem que existem problemas pior que os meus, sei muito bem que existe mais sofrimento que o meu, sei muito bem que ninguém leu até aqui. Mas eu só precisava escrever.
E, se por algum motivo, pareceu que eu quero ser melhor que alguém, saibam:
Eu não quero ser melhor que ninguém nesse mundo, só quero melhor que eu mesma.