Querido amor perdido, ♥ ♥
Já não me dóis por dentro. Foram horas, dias, meses que foram preenchendo o vazio que deixaste em mim, com pequenos toques daquela vida que senti escorrer-me por entre os dedos quando partiste. Poderia, agora, clamar, do topo do meu nariz, que afinal nunca gostei de ti, porque com certeza o amor é muito mais do que aquilo que partilhámos.
Poderia gritar aos sete ventos que não significaste assim tanto para mim e que foste um erro, porque se fosses a pessoa certa para mim tudo teria sido melhor e ainda estarias aqui. Poderia dizer que foste tu quem mais perdeu porque sempre fui mais do que merecias.
Poderia. É o que as pessoas, normalmente, fazem quando já se sentem suficientemente seguras após uma ruptura amorosa.
Depois do sofrimento vem um certo egoísmo e sabe-nos bem fazer acreditar aos outros e a nós mesmos que tudo o que existiu não passou de um erro e que nos arrependemos de termos perdido tempo com alguém que nem sequer nos merecia e que, de repente, tem todos os defeitos do mundo.
Poderia fazer o mesmo. Como te disse, já não me dóis. Mas não o faço porque aprendi que não é justo.
Não tens todos os defeitos do mundo, apenas aqueles que sempre te conheci e que aceitava por fazerem parte do ser extraordinário que sempre te mostraste. Não, não tens a culpa de todo o sofrimento – aconteceu, de parte a parte.
Também não te digo que nunca me mereceste – se não achasse que me merecias nem sequer tinha começado qualquer relação contigo, além de que, quantas vezes, também eu fiz com que pudesses ser tu a dizer que não te mereci.
O que quero dizer com isto é que tudo na vida tem um lado positivo. Tudo. Às vezes estamos tão cegos que só nos concentramos no lado lunar das coisas. Tu deixaste muitas coisas boas em mim, assim como tenho a certeza de que deixei tanto ou mais em ti. E é isso que eu guardo.
Gostei de ti, não tenho que o esconder e ser orgulhosa a ponto de, agora, te rebaixar e dizer que nunca foste assim tão importante.
Ensinaste-me coisas que nunca irei esquecer. E são essas coisas que guardo de ti.
Quando te recordo não te vejo como aquele ser cruel que depositou em mim tanta dor. Eu sei que erraste. Erraste. Mas quem não erra? Eu não erro? Eu não errei? possivelmente sim.
Tudo acontece por um motivo e o que não tem que ser, não será. Nós não “fomos”. E doeu. Tanto! Mas hoje já não me dóis. E sabes? Mesmo sem quereres, ajudaste-me a crescer! O que eu sou hoje, também o devo a ti.
Obrigado nino,da tua
Catarina