É a mentira, é a falsidade. É essa corja de moralistas a solta, gritando por Deus e crucificando Satanás. “Você vai pro inferno se fizer isso!”, eles dizem. Se me lembro bem, quem dizia isso eram aqueles padres, bispos, papas, e o diabo a quatro na época da inquisição, do tempo da venda de indulgências.
A sem vergonhice continua a mesma. O que muda é o nome da religião. E nem me venha em falar em santidade. Santidade! Fala pra mim, quem é santo? Você não cansa? Não cansa de, também, bancar o santo? De não falar tal coisa pra não parecer anti-ético? De não conversar com tal pessoa pra não parecer deslocado? De não escutar tal música pra não ser criticado? De não usar tal roupa pra não parecer ridículo?
Esse mundo é ridículo.
A utopia que tantos pregam nem sequer cabe nele! Esse mundo tá é cheio de hipocrisia e de moralidade falsa. Cansou! Esse mundo está velho! Esta raça está suja! Doente demais. Se eu pudesse, iria para Marte. Não é o que dizem, “os incomodados que se mudem”? Pois bem, incomodo-me mesmo! Falo mesmo! Odeio mesmo! Dane-se! Vou ferir sua benevolência, ó pregador da maravilhosa terra santa a qual nós todos herdamos?
A terra é santa, mas os habitantes são ratos. Piores do que ratos, porque não quero ofender os pobres bichinhos dos quais tomamos o habitat natural. São sanguessugas – bichos nojentos, escrotos, imundos – que sugam a gente como pernilongos. Pragas. Desses não tenho problema em criticar. São como sapos. Molhados, nojentos, pulando de canto em canto com sua crueldade encarnada nas pontas dos dedos.
Só não me mato porque, apesar de tudo, não sou um fraco. Não amo esse ambiente criado pelo homem e também não amo essa necessidade por tecnologia que eu mesmo tenho. Eu também adoeci, é verdade. Fico olhando pro espelho e pensando “pro inferno que eu sou parte disso tudo”, mas eu sou. E sabe o que os pseudo-moralistas vão me dizer? Que eu preciso de um psicólogo. Que eu preciso amar e ser amado. Que eu preciso ler, estudar, orar, encontrar Deus, pensar na vida, parar de ser bruto. Vão dizer que sou infeliz. Que me falta alguma coisa na vida.
. . . Pelo amor do deus que vocês pregam, ACORDEM! O que me falta é a sinceridade vinda do mundo todo! O que me falta é ligar a televisão e ver a verdade sem ser lapidada. A verdade que dói, que fere, a verdade sobre o que está acontecendo com o clima, com a camada de ozônio. Quero saber quando o mundo acaba! Quero saber quem matou as artes! Quem foi que disse que Elvis morreu, quem foi que disse a Lennon que o sonho existe!
Quem foi que disse que isso está bom do jeito que está.
Você acredita? Então tá. Não conte comigo. Mas nem adianta tentar me convencer de que vale a pena viver como se o barco estivesse prestes a naufragar. Não tem esse lance de fazer a minha parte, não. Vou ser quem eu sou. Quem eu quero ser. Vou ser sincero do jeito que eu espero que os outros sejam. Não sei mais mentir pro mundo. Não sei mais fechar os olhos e agradecer, antes do almoço, e fingir que depois disso tudo é perfeito. Tem gente morrendo de fome em vários cantos do mundo, e vocês aí, preocupados em comprar um carro pra chegar mais cedo na Igreja ou brigando por causa de jogos de futebol. Humanidade burra. Burra. BURRA!