Hà alguns dias atrás fui em uma festa de casamento a qual eu não poderia faltar por motivos que prefiro não compartilhar. Nunca esquecerei esse dia!
Antes de sair de casa, para variar, eu já estava me sentindo um lixo e muito inferior. Eu sabia que me sentiria a mais feia e esquisita no lugar. E foi o que aconteceu…
Chegamos em cima da hora à igreja e lá eu já estava completamente desanimada. No caminho para a festa eu queria mesmo era voltar para a casa, mas tal desejo seria impossível de realizar. Sempre acabo atrapalhando tudo e eu não queria ser vista, mais uma vez, como a anormal da família. Sei que sou taxada como a menina problemática e que se odeia, é quase inevitável que não enxerguem isso, pois está nos meus olhos e nas minhas atitudes. O melhor que tenho a fazer é não me expor tanto.
Entrar na festa foi uma decepção, eu sabia que logo o salão estaria cheio de pessoas bem vestidas, bonitas, acompanhadas e normais. Eu não queria ficar no meio da minha mãe e do meu padrasto porque, além de desconfortável, seria entediante. Meu irmão estaria com minhas primas e amigos, enquanto eu ficaria completamente sozinha e parecendo uma retardada infeliz.
Depois de sentar em um dos lugares menos movimentados do salão, porém em frente ao DJ, eu fiquei tranquila por não mais estar perdida de pé em um canto qualquer, mas muito nervosa por ficar ali completamente isolada no meu mundo. Eu estava com medo e vergonha do que as pessoas iriam comentar pelo fato de eu não me misturar com ninguém, ter a cara séria e triste.
Ali, sozinha e confusa, eu decidi que iria beber para tentar esquecer e fugir das minhas frustrações. Não tinha a intenção de ficar bêbada (nunca fiquei bêbada antes), mas eu queria sentir aquela sensação anestesiante que em outra ocasião eu já havia sentido. Não aguentava mais ver tantas pessoas bonitas com amigos, namorados e se divertindo. Só que não era apenas isso que me incomodava, era também a certeza de que todos os presentes no local notavam como sou diferente e sentiam pena de mim. Eu estava com tanta vergonha da minha feiura e da minha solidão. Precisava sair de mim e acabar com aquela angústia e tortura, cada vez eu me sentia pior. De cabeça baixa na maioria do tempo e sem saber como agir, aceitei cerveja sempre que um garçom passava por perto. Com poucos copos, eu já começava a me sentir tonta e isso era bom.
Na mesa ao lado da minha, meu irmão e primos (todos mais novos do que eu) me chamaram varias vezes para sentar com eles. Acontece que ficar junto deles não mudaria minha solidão. Depois, minhas duas primas de, mais ou menos, 6 anos cada uma, sentaram comigo e me fizeram companhia por alguns instantes. Minha mãe se preocupando comigo e me trazendo companhias infantis ou desconhecidas fez com que eu me sentisse ainda mais humilhada. Com o tempo, resolvi aceitar o convite e ir para a mesa ao lado. Continuei bebendo bastante e a sensação de anestesia não demorou a chegar. Eu quase podia sentir a liberdade tomando conta do meu corpo e mente. O problema surgiu quando resolvi, por influência dos que me acompanhavam na mesa sem beber, comer alguma coisa. De estômago vazio, eu havia bebido mais do que o meu organismo podia aguentar e aquela comida não me fez bem. Em seguida, comecei a vomitar, não conseguia falar e nem me mexer. Minha mãe e outros familiares me tiraram para a rua, onde eu continuei vomitando. Todos do salão viram as cenas que eu protagonizei e isso pareceu engraçado para eles e completamente inaceitável para mim. Havia muitas pessoas conhecidas e que costumam me ver com frequência. Como sou comportada e certa demais, elas se surpreenderam com o ocorrido. Eu queria ser invisível, mas acabei sendo a mais vista da noite. Tudo aconteceu muito precocemente, ainda no inicio da festa. Não teve outro jeito a não ser me levarem para a casa. Deitei-me, dormi e acordei com dor de cabeça e envergonhada pela noite passada. Mas, eu bebi e não fiz besteiras, lembro-me de tudo: Entrei quieta e sai calada.
O lado bom é que a bebida me permitiu escapar dos meus pensamentos e me levou embora cedo, o lado ruim é que eu perdi os momentos seguintes e não pude presenciar mais nada. Às vezes penso em como teria sido se eu não tivesse bebido… Tinha um cara, que também estava sozinho em uma mesa, que parecia estar me cuidando e eu tentava retribuir os olhares. Sei que, quando me afastei para a mesa do lado, ele acabou se juntando com um grupo de pessoas de outra mesa próxima. Ele o DJ eram, no mínimo, interessantes. Queria voltar e fazer essa história diferente, só para saber como iria terminar…
Hoje… Quero beber de novo! Quero fugir outra vez, quero me permitir ser livre, quero esquecer, quero ser igual, quero não sentir medo de mim, quero escapar das minhas torturas. Quero apenas viver…