durante minha vida inteira, fui obrigada a ser a filha perfeita, a garotinha inteligente e dedicada que não comete erros, sempre na linha, tinha medo de magoar minha família. mas nunca fiz nada pela minha vontade, e sim, tudo do perfeito e agradável a minha família. a dois anos, me isolo no quarto, na maioria das vezes lendo, ouvindo musica, e isso preocupa a todos, pois sempre me enturmava… mas era insuportável o papo com minha família: trabalho, estudos, futuro… o papo era apenas desse tipo, então resolvi ficar na minha, quieta. quando parente vem em, casa, não faço a minima questão de velos. pra que? pra quer saber se vou bem na escola. nunca ninguém me perguntava se vou bem de saúde… só saber de estudo, estudo, estudo… comecei a fazer coisas escondida, dizer que ia pro curso mas na verdade ia pro shopping, gostava de ir na livraria e ficava babando nos livros novos… amava e amo livros. meu caminho era casa, escola, curso, casa. nunca me importei em sair pra festas com amigos, nem ao menos dormir em casa de amigas, eu me divertia pegando ônibus todos os dias. mas ano passado fui transferida pra um colégio do lado da minha casa. pronto, minha vida vira um inferno. a cobrança piorou, e minha diversão, minhas alegria, nem sabia mais como era isso. os alunos desse novo colégio são do tipo que mais odiei na minha vida: gritaria, alunos que não queriam nada na vida… não me enturmei com ninguém la durante 1 ano. minha vida tava um porcaria. meu irmão mais velho começou a sofrer de transtorno bipolar, e a família dele veio morar na minha casa. tira crises, quebrava as coisas, gritava… eu tinha que bancar a forte pois ficava com meu sobrinho. comecei a beber e fumar escondia, a forçar vomito pois estava engordando muito, me cortava com estilete e lâminas. a dor que sentia com meu corpo cortado, amenizava a dor do sentimento. mal falo com minha mãe. hoje fumo,bebo (vodka, whisky, tequila que minha mãe falou pra mim jogar no lixo e cerveja) e lendo livros que ganho que amigos. eu culpo a todos pelo meu comportamento. me odeio por eu ter caído nessa furada de vicio por bebida e por cigarros, mas também, não ligo, logo acabo com esse sofrimento, eu mesmo vou acabar com isso. vou fazer como o meu grande ídolo kurt cobain, dar um tiro na minha boa. pelo menos serei lembrada, como uma garota louca, viciada que se matou em homenagem a sua vida inútil e a kurt cobain. ah, procurei ajuda da religião, mas dai lembrei que deus não existe. tentei me comunicar com o diabo mas lembrei que ele também não existe.