Desde que eu me entendo por gente que só lembro da minha mãe me criticando. Tenho 45 anos, sou a segunda filha, tenho uma irmã mais velha que sempre foi a filha querida. Sempre me comparou com ela, usava minha irmã para desfazer de mim, e desde a minha infancia as duas se uniram para me destruir. Eu lembro que chorava dia e noite, era uma criança chorona, triste, já na adolescencia acreditei que era filha adotiva, mas nào, eu era a cara do meu pai, mas um motivo pra minha mãe me odiar, dizia que eu não prestava igual a ele. Mas eu tive um anjo que me ajudou por muitos anos da minha vida, minha avó materna, ela foi a pessoa que eu mais amei nesta vida, ela foi a minha verdadeira mãe, ela morava sozinha em uma cidade proxima e eu passava as férias inteira com ela, enquanto as outras criancas da vizinhança se divertiam, eu rezava para as férias na casa da minha avó não acabarem, eram os meus momentos de paz, de liberdade. Como era muito solitária, me interessei muito pela leitura, o que me ajudou a não entrar pelo caminho da revolta. Desenvolvi a crença de que eu conseguiria ser livre e feliz se estudasse muito, sairia de casa e finalmente me libertaria. E assim foi, fui a única que se formou, todos esses problemas me tornaram uma pessoa um pouco insegura, mas a necessidade fez com que eu batalhasse e conseguisse um lugar ao sol. Conheci o meu marido na universidade, a segunda pessoa que me amou e me fez sentir especial, tive duas filhas a quem amo, me dedico e preocupo muito. Minha mãe morre de raiva por me ver bem sucedida, os planos dela para mim era pra eu ser uma pessoa fraca, fracassada, dependente, pra ela continuar com o assédio moral. Há 18 anos moro bem longe dela, a minha irmã continua lá, tem uma vida mais ou menos, não estudou, casou e teve um filho para agradar a minha mãe, o marido dela não trabalha, o filho nasceu com problemas, ela não liga a mínima pro filho, minha mãe ajuda a cuidar, mas apesar de tudo ela continua sendo a melhor filha. Hoje minha mãe mudou um pouco, de vez em quando tem dor na consciencia e se faz de boazinha, só que não dura muito, o seu desamor por mim é maior, o que ela mais gosta em mim atualmente é o dinheiro que lhe mando todo mês. É um desabafo, não conta nem uma gotinha do meu sofrimento, não só por ela não me amar, mas por que até hoje eu carrego traumas e lembranças que afetam o meu relacionamento com as pessoas. Desejo a todos os filhos que vivem uma situação semelhante, que encontrem como eu, pessoas, ou anjos aqui da Terra colocadas por Deus nas nossas vidas, que lhes ajudem nesta difícil caminhada. Muita força e paz!!!!