Inferno astral
nov 16
Amanhã estarei fazendo aniversário, e lamento dizer que não tenho absolutamente nada para comemorar. Olho para trás e vejo que não consegui realizar quase nada, olho para o presente e não vejo nada, e nem penso em olhar para o futuro, pois acredito que a única coisa a ser enxergada é um imenso vazio.
Também fico triste por não ter com quem conversar, ou melhor, não poder falar com as pessoas sobre o que me aflige – afinal, elas simplesmente reduzem a coisa às respostas tradicionais: “você não tem Deus no coração” e “reclama de barriga cheia, enquanto no mundo há pessoas com problemas mais sérios e que não reclamam deles”. Legal, né? Pra que apoio moral? O negócio é fazer com que nos sintamos uns vermes…
Agora vou dizer uma coisa muito, muito patética. Sabem por que eu não me mato? Porque não tenho certeza de que a vida se encerra com a morte. Afinal, tive uma educação religiosa muito forte, que prega que nossa alma é imortal e nosso corpo, apenas um invólucro. Já pensaram na palhaçada? Eu resolvo me matar para, pouco tempo depois, acordar em outra dimensão, e sendo castigada por ter tomado essa atitude?
Várias pessoas pesquisam e buscam respostas para questões altamente complicadas. A única resposta que eu gostaria de obter nessa vida é: por que pessoas como eu nascem? Qual é o sentido de alguém como eu estar nesse mundo? Pra que alguém como eu serve?
Ah, se eu tivesse coragem…



