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O que é o desabafoex?

Basicamente é um sistema para que pessoas que tem algo a falar, mas não tem a quem falar, ou para quem precisa falar algo para o maior número de pessoas possível mas não sabe como, possam se desabafar!

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Desabafo é a faxina do teu passado: o que tem virtude, esclarecimento e nobreza tu deixas guardadinho. Vais precisar. O que pesa e não te diz nada de novo, jogas no colo do tempo q ele dá um fim. ;D

jul 22

Era daqueles garotos incríveis, sabe? (justamente! mais um dramalhão catártico. Pegue a comida e sente-se). Daqueles que você inventa pra sonhar acordada enquanto menina pra daí crescer e se sentir sacaneada pela vida real q não fez existir…
Ok… na verdade eu não notaria sequera existência dele dentro daquele ôni..bus (Doze horas de viagem depois de virar a noite anterior? Eu não notaria nem o Bozo com o nariz piscando na minha cara) se ele nao tivesse, do nada, de repente, do além, me entregado o edredom dele pra me cobrir “vc parece tá com tanto frio… eu sei que eu aguento, mas e você?…” Me entregou daí um bilhete com um poema e o telefone dele (como é que eu ia saber que aquilo era um ingresso pra assistir meu próprio melodrama barato? Cilada)
Eu fui lá…uhum.
Fui lá falar com ele. “façamos assim então: vamos dividir esse edredom e ninguém fica com frio!” (ok, o q eu ia fazer? acordei e dei de cara com o homem dormindo enrolado numa toalha!)
É, usei o ingresso. Owned.
Uma semana depois eu passei por cima daquela vontade de não ligar e (o quê? acha q foi sussa ignorar o fato de que o poeminha do tal bilhete rimava bem forçado, era sofrivelmente piegas e meio brega?) mentalizei firme: “já q toda guria reclama tanto q nunca aparece nenhum cara legal… eu vou ligar, vai…. só pra não dizer depois que sou idiota e não dei atenção a quem vale a pena de verdade”
(mentalizou bem, fulaninha, só não precisava tanta atenção…¬¬)
Saímos… umas de 7 vezes. O maldito me encantou. Dissonâncias, civilizações meso-americanas, as luzes da Catedral de Liverpool, o vinho, contrações involuntárias durante o sono, iluminação peculiar, cigarros de palha, passeios solitários por lugares insólitos (como é que era? ”não ando só, ando em boa companhia: minha canção, meu violão e a poesia” acho q era assim q ele parafraseou Vinícius de Moraes pra explicar a trilha. E sabe de uma coisa? Não ouso contrariar um cara que se mete dentro do mato com um violão nas costas.)
Ai ai… A vela amarela dentro da taça, inspirações de peter pan, mania de morder o fundo das canetas, camisas sempre, invariavelmente, amarrotadas, acordar ás 2 da manhã querendo fazer amor comigo. Minhas insanidades mais belas impunemente traduzidas pro náua..tle
Era uma nuvem de lirismo e histórias bonitas embrulhadas num fenótipo masculino que não me atrai (Peraê, parou! Nãããão! Sério mesmo! Tinha que ser loiro? Os poucos caras loiros que a minha visão seletiva captou na vida eram tão broxantes. Será karma? Vingança dos céus? hare!).
Ele passava o tempo encontrando, sem olhar, o lugar exato da minha mão pra colocar dentro dos bolsos dele e me chamando de “linda” quando não estava concentrado nos devaneios em que flutuava. Ora sozinho, ora me levando pela mão.
(mas que DROGA! Nem consigo mais aceitar q o bilhete era brega… mesmo lembrando da vergonha alheia que tive na primeira vez em q reli. Essa deve ser a 600° vez , e é tão fofo! Por que sempre q eu me apaixono eu começo a agir como se tivesse achado meu poder de discernimento na rua?)
Ele é gentil, é educado, comporta-se bem, é inteligente e cativante. Tem bom gosto, mente aberta, idéias maduras e arejadas ao mesmo tempo… Me fascinou tocando violão, cantando baixinho… Ai ai…
As mensagens, o e-mail perfeito que mandou pra mim, sutilmente abreviado pelo episódio em que uma das crianças (que cara perfeito não trabalha dando aula pra crianças? … Tá… Melhor deixe quieto) que o interrompeu monitorando-o ao digitar. Uma abreviação que esperei ser desmembrada durante todo o tempo do vento. (Deixei a expectativa pendurada na brancura silenciosa da ausência dele. Algum dia ele acha. Tomara que saiba onde dá corda pra tocar a musiquinha) Ele usava as palavras de forma tão doce… A pele dele, os cachinhos macios, o cheiro, a voz… A risada mais gostosa, o abraço mais sereno, o beijo terno de anjo, o semblante firme de homem…
(Me adoeci por ele num estágio crônico… terminal! Que deprimente… e ele ainda é loiro, argh!)
A voracidade com que avançava por sob as minhas roupas sempre que me percebia vulnerável a ele era tão ávida quanto indomável. E eu? faria o que com o pudor? Sabia bem o quanto afetava ele meu hálito, respirando trêmula na tensão da proximidade dos rostos. Fazer o quê? Com o quê segurar a queda de céus e infernos enquanto era ciente do efeito que lhe causariam minhas pernas enlaçando-o, pressionando-o contra mim? E o pavor? E o medo dos desejos secretos escondidos em mim? …escondidos nele…? Que podia um véu de recato contra aquelas feras e demônios? De que adiantou toda a água, se quando nos tocou, virou gasolina? A potência do sexo dele me imergiu numa intensidade de sensações tão visceralmente ferozes que era tudo alucinação, era tudo imprudência, imponderância, insensatez. Me perdi do próprio corpo sob o peso e o calor do dele. Tremi de prazer, desmanchei. Agarrei e arranhei-lhe os braços. Virei-lhe do avesso o espírito e reconheci ali o contorno da minha cintura Respiramos no mesmo pulmão as arfadas que impulsionavam os tão sutis e tão ferozes duelos cruzados em meu quadril. O Altar dos instintos dele… O santuário dos gemidos fantasmas que ecoam agora.
(É…)
Entendi, graças a esse estranho parceiro de crime a identificar a exuberância singela na realidade crua sem os espectros floreados da utopia.
Desfalecia e ressuscitava nele. Só pelo friozinho no estômago.
Acho que o que queria me mostrar ou dizer… já o fez. Quando precisei viajar, um mês longe da cidade, deu-se que já faz umas três semanas q ele parou de responder meus e-mails… mensagens… Ele desapareceu. Não quer mais.
Então acabou o baile, né cambada? Bora catar do chão as cascas da abóbora e sair pelos fundos antes que vejam a bagunça. Ainda não foi esse que ganhou o gosto de saber se me fez ou não sofrer. To com planos de voltar pra aquela cidade sem essa maquiagem de novela mexicana. Vou de cara lavada com água de amnésia, exalando frescor. No espaço que essa história toda ocupava dá pra levar overdoses de serenidade e efeméride. Mais leves. Tudo aqui escrito até então passa agora a ser a mais disparatada das mentiras. Pra mim. Pra ele. Pro mundo.

Aqui jaz mais um bloco de lembrança inconveniente sob os cuidados do tempo.

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